cat-textos
08.07.2009

Achei esse texto num blog meu um pouquinho mais antigo.

Sinto falta

Sinto. Sinto e é muita essa falta.
Paro e penso na minha vida, em tudo que já passei e que fiz.
Nada de muito complexo nisso.
Há 19 anos muita coisa mudou, se transformou, progrediu e melhorou.
Mas eu sempre achei (e acho) que não aproveitei muito as oportunidades que tive. Tudo tem sua época, e eu deveria ter pensado nisso antes de jogá-las pela janela.
O que passou, passou, e não vai mais voltar. Nunca mais. Infelizmente…

Mas eu sinto uma falta tão grande…

De ter toda a atenção do mundo; de ser paparicada quando chorava que nem louca na porta da escolinha antes de entrar; de bater na menininha de 3 anos que roubou meu anel de coração que ganhei da minha nona (detalhe, eu tinha 3 anos também); de tomar sopa de ervilha (com pão e queijo) da vovó todo o sábado; de acreditar que um homem colocava sabão no fundo do mar para criar as ondas (valeu, hein, pai); de ficar fazendo poses e dançando para os filminhos caseiros; de receber cartinhas; de dar super festas no meu aniversário; de montar a casa inteira da Barbie no tapete da sala; de adorar tirar fotos na velha camêra analógica e querer ser a primeira a vê-las reveladas; de querer o maior doce de todos; de me divertir sem computador/internet; de voltar do colégio, almoçar, tomar banho, fazer lição e descansar; de não ter tantas obrigações; de não viver com tanta pressão; de ficar horas e horas no telefone; de temer o desconhecido; de descobrir; de perder bolas no telhado; de tentar adivinhar o que eu ainda não sabia; de não ter com o que me preocupar; de não ter contas pra pagar; de jogar handball; de brincar com os meus vizinhos; de não ter medo de subir num skate (hoje nem a paaau); de pintar camisetas; de ter que tirar o ‘pé do chão’ quando minha mãe falava; de ficar ouvindo todos os meus cds no discman; de gravar músicas do rádio em fitas-cassete; de fazer cds de vídeo; de assistir filmes deitada no sofá a tarde; de ter um mês de férias; de estudar; de armar planinhos; de tentar bancar a detetive e espiar a vizinhança; de brincar no quintal; de plantar sementinhas num super vaso na garagem; de não ter problemas; de querer em morar numa república; de me sentir segura; de saber em quem confiar; de não ter em que pensar; de ter minhas certezas e minhas dúvidas, de acreditar em mágica; de achar que as nuvens eram de algodão; de tudo ser mais simples; de me divertir com as pequenas coisas…

Enfim… conquistas, experiências, responsabilidades e aprendizados a parte, eu sinto uma falta eterna de tudo isso. Guardarei na memória, e dela ninguém poderá tirar.
Minhas lembranças.
As lembranças que sinto tanta falta.

Adriana Cecchi

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