cat-textos
29.08.2011

Já era tarde, o sono não chegava, mas era preciso dormir. Tentar, ao menos.
Apaguei a luz, desliguei o notebook, uma última olhada no celular e, pronto, deitei.
Algumas coisas sempre incomodam, então lá vou eu ajeitar as cobertas e trocar a posição dos travesseiros até encontrar a perfeição. Parece que a perfeição não quer se encontrada, até as meias estão esquentando demais, tiro-as e penso: agora sim.
Uma mão por baixo do travesseiro dobrado e o corpo automaticamente vai se recolhendo, as pernas dobram, os joelhos sobem e o outro braço fica perdido naquele meio.
Os olhos fechados por poucos minutos, a pulsação marcada no ouvido, um vazio.
Viro para a esquerda, de cara com a parede, meu lado favorito. Puxo a coberta até a nuca e tento relaxar. Um vazio cravado no peito, mais uma vez. O coração acelerado, bate bate bate forte e não me deixa dormir.
Procuro pelo pato de pelúcia que não é de pelúcia, é feito de poliamida e elastano, mas que fica mais fácil de ser compreendido como pelúcia; enfim, procuro pelo pato e o encontro na metade da cama. Rapidamente trago pra perto aquele bichinho e o coloco perto do peito. Uma vez envolvido com o braço que me sobra, o pato é apertado contra o meu coração como se assim ele pudesse diminuir o ritmo absurdo do mesmo.
A agonia agora é de lembrar às antigas agonias. Quando, na verdade, o tudo não era nada, eu nem podia imaginar o que seria o tudo, ainda.
Cada palavra, cada descoberta, cada medo, cada verdade, cada pensamento, cada saudade… cada um resultava em apenas uma coisa: agonia. Lembrava de cada dia, cada hora uma coisa e, nossa!, mesmo sem ainda saber, a agonia de ontem era por causa do dia, o dia que marcava uma data específica sobre todo esse tempo de agonia.
O tempo passa rápido, sem perceber, e, analisando friamente, não era muito, mas pra quem sente, um dia pode virar uma eternidade.
Dormia, sonhava e acordava. Dormia, sonhava e acordava. Dormia sonhava e acordava.
Sonhos bons e sonhos ruins, ambos se tornavam piores ao despertar. A agonia sempre presente, o coração acelerado por tudo ou nada e o tal pato já nem era mais notado.
Uma noite de vai e vem, uma noite assim, uma manhã assim e, certamente, um dia inteiro assim.
Dizem que o sofrimento é opcional, ok, mas se alguém souber a receita pra se livrar dessa maldita agonia me diz, me liga, me manda. Um abraço funcionaria, talvez. Uma boa eu já conheço, mas essa, bom, essa eu não posso usar.

Adriana Cecchi

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