Também publicado no blog Malvadezas.com

Assim, eu to bem sem saber o que fazer. Eu to com uma olheira marcada há dias, bem mais que o normal, e é por não dormir direito pensando na porra da vida.
Vem cá, me diz aí, você que tem foco: cê sempre teve? Cê nasceu sabendo o que queria pra vida inteira? Conta pra mim porque olha.
Aqui quem fala é uma pessoa que com 17 anos meteu uma graduação de produção audiovisual – cega pela paixão por cinema – e viu que o curso não era lá grandes coisas, daí com 19 apostou tudo que tinha na fotografia e percebeu que prefere muito mais a arte em si do que o comércio que se faz com ela. Aos 20, enfim, trampou com produção e com fotografia e, pronto, não era nada disso. Agora, com 22, tá querendo meter um foda-se mesmo. Pode?
Difícil, eu realmente acho que todo mundo tem um ritmo, mas eu to aloprando. Acho também que não adianta forçar (pelo menos não está adiantando por aqui), as coisas têm que seguir um fluxo natural. Bullshit, tem quem diga que quem não corre atrás, morre na praia. Oi, já morri, como faz pra ressuscitar agora?
Sem esperar pelo fluxo natural e também sem me matar pra correr e dar com a cara na parede, eu resolvi relaxar. Mentira, resolvi mudar a minha visão sobre a vida. Mudei até um pouco o conceito de felicidade, vai se ligando. Eu não quero trampar com um scarpin apertado que obrigatoriamente me fará usar band-aid no calcanhar, assim como não quero ficar num ambiente fechado com três ou quatro pessoas que mal trocam olhares, entre outros trocentos exemplos mais. Você também deve passar por muita coisa que não quer, eu sei, mas eu passei por muita também e nem era porque valia a pena. Por isso essa tal de felicidade martela um pouco na minha cabeça.
Dinheiro, sucesso, carreira, status: todos pro inferno abraçando o capeta. Quero dizer é isso! e sentir que a realização pessoal é maior do que qualquer outra coisa.
Imagino que muita gente se sinta assim ~desesperado~ pra saber o que dessa vida vai ser, mas esquece; esquece que surtar não vai ajudar –garanto! Obviamente não vou meter o louco e sair com um beck na mão vendendo colar de miçanga na rua por puro prazer. Exagerei quando disse sobre o beck, mas era só pro título ficar “interessante”, agora sobre a trip e às artes eu falo sério. Tá, meio sério. É só pra espairecer, afinal eu to com tempo pra isso. To com tempo pra fazer uma viagem e, quem sabe então, clarear a mente. To com tempo pra tentar fazer uma coisa que sempre gostei, mas nunca fui em frente, que é desenhar e – quem sabe então também – clarear a mente pra novas ideias, novos ideais.
Escrevo isso para que eu mesma acredite que isso é só uma fase, e que ela passa e depois que passa a gente sente até saudade.

Adriana Cecchi

[Fonte Imagem]

Comentários

11 Comentários | Adicione o seu

  1. Estou no mesmo barco que você Dri, a diferença é que não sei escrever como vc, rs!

  2. Leonardo disse:

    Ahhh… a fotografia !!.. como seria ótimo te-la como expressão de vida e demonstração de arte…mais o formalismo da advogacia bate a minha porta, você não imagina o tamanho da contoversia quando se pensa em “artes plasticas, trip muito louca e um beck” x O estado democrático de DIREITO.

    Foco ?! nao nasci com ele, digo que hoje me esforço muito para focar certas coisas em momentos diferentes, tendo objetivos distintos…funciona, mais com esse fluxo de energia natural das coisas é como uma corrente maritima ou linhas aereas no ar, elas vibram em sentidos destintos mais lembre-se… elas o levam sempre em frente acreditando que ao final existe um aeroporto ou PRAIA.

    Acredito que temos que aliar nosso pensamento ao mundo social e primordialmente ao nosso universo particular, mais certos momentos, humano como sou, sofro a mesma agonia descrita no testo como desespero.

    Meditando sobre isso… ate uma próxima.

    • Adriana disse:

      Uma controveria enorme mesmo, Leonardo.
      Eu tentei colocar de um jeito mais descontraído aqui no texto, mas é bem difícil, só quem sabe ou passa por isso consegue entender.
      Acho que é isso, não podemos deixar de acreditar que há alguma coisa muito boa esperando por nós, independente das escolhas ou do tempo.
      Até mais! :)

  3. Renata disse:

    Olá!
    Achei incrível seu post.. Nunca pensei que conseguiria descrever também o que passa comigo, mas você conseguiu.
    Aos 15 entrei no colégio técnico de Publicidade, aos 17 faculdade de Publicidade e descobri no 3 ano que aquilo não me fazia extremamente feliz.. Comecei a fazer iniciação científica em sociologia, e saindo da faculdade engatei um mestrado em Sociologia, uma escolha que me fez muito feliz. Mas vamos e convenhamos, você num vê no jornal uma vaga “precisa-se de um sociólogo”.
    Tô com 23 anos, um mestrado nas costas pra terminar e não sei exatamente o que quero da minha vida, mas como você, aprendi que não adianta entrar em desespero.. Uma hora essa fase acaba, e seremos pessoas centradas. Tomará!
    Beijos!

    • Adriana disse:

      Fiquei impressionada com a quantidade de pessoas que se identificaram com este texto, tenho recebido um monte de emails!
      Olha só, você mudou radicalmente de área, ein. Mas tá certa, tem que arriscar mesmo.
      Poxa, temos a mesma idade, praticamente. Está com dúvidas também, então? Sei bem como é, mas aprendi que o desespero não funciona em nada, como você disse. Parece que tudo que a gente mais precisa é de um “tempo pra pensar”, não é?
      Seremos, com certeza! Adorei seu comentário, espero que volte mais vezes ;)
      Beijos!

  4. (((((vibrante))))) disse:

    kd o beck,vc incinerou o dito?
    se nao tem mais te mando um pelo meu tele- transportator.
    get BACK at me.
    nao se preocupe tenho 41 e nada muda.
    ou……………se preocupe.

  5. Márcia disse:

    Olá! Eu a.m.e.i. seu post, até porque me identifiquei muito com ele. E neste exato momento, estou nessa “neura”. Sou formada em design… Não sei se gosto, ás vezes gosto, ás vezes não… Sabe como? Já quiz ser tanta coisa… Mas sempre essas coisas tem um “porém” que não me agrada. Então, eu desisto. E depois eu volto a me interessar. E um círculo vicioso. E a cada vez eu me empolgo como se fosse a primeira. Já passou pela minha cabeça tanta coisa… As vezes eu acho que não sou normal porque não consigo achar meu foco. porque to ficando velha, o tempo tá passando e eu só estou levando a vida… Empurrando pra ver se de repente ele caí no meu colo. Gosto muito, muito de artes, como você. É uma das únicas certezas que tenho. Apesar disso, não sei muito bem o que fazer com esse gosto… e Enquanto não decido, vou seguindo com a minha inquietação…

    • Adriana disse:

      Olá, Márcia!
      Pois é, eu também já quis – e ainda penso em – ser muita coisa. Esse negócio de ter sempre um ‘porém’ ou algo que não agrade tanto, sei beeeem como é. Mas acho que o grande problema disso é ‘pensar demais’, sabe?
      Ficar analisando, pensando no que pode ser e no que não pode ser, isso só atrapalha.
      Não se ache anormal porque passo exatamente pela mesma coisa, super me empolgo com novas ideias e, de repente, tudo parece que desaba na minha frente. E esse negócio que você disse sobre “estar só levando a vida”, olha, idem pra mim, e o pior que não só no lado profissional, em todos! Mas aí envolvem outros probleminhas, outros poréns da vida :s
      Arte é uma coisa complicada demais, porque, pra mim, ela vai além, sabe? Não sei explicar, mas foi isso que me fez desistir de trabalhar com a fotografia – não consigo ligar arte a comércio, pelo menos a minha.
      Vamos seguindo nessa inquietação e, qualquer coisa, volte aqui para contar as novidades ;)
      Bjs

  6. F! disse:

    Já pensou em produção? de eventos, peças, artes, musica, arte em geral…
    tenho 20 anos, to saindo da faculdade de relações públicas, espero q esteja no caminho certo…
    mas volta e meia me pego pensando se to no lugar certo e indo pelo caminho certo, sei lá…

    mas pensa nisso, produção, em geral não te prende em escritórios, não exige um scarpin (as vezes, dependendo do seu publico)e te deixa perto do mundo da arte que vc gosta
    se não, se joga no desenho, mas eu no seu lugar começava o desenho como hobby
    ;)
    boa sorte…

  7. Márcia disse:

    Oie! Com certeza Adriana! Ainda estou na minha busca!! Espero encontrar logo, que isso está me pirandoo!! Rsrs
    Enquanto isso vou escrevendo no meu bloguinho, procurando coisas na net p/ me ocupar…

    http://studiomarciaad.blogspot.com/

  8. Geerre disse:

    Estou perto dos quarenta,e até hoje não achei meu caminho.Acho que talvez um dia eu o encontre!

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