Vê se aparece!

*Texto original do meu mais novo blog: Sobrenome Acidez.

É sempre assim, você está numa fila, ônibus ou qualquer outro lugar público quando avista um conhecido. Sabe aquele conhecido que você, carinhosamente, apelidou de ‘animal’, de ‘demônio’ ou de qualquer outro adjetivo simpático? Então, é ele!
Mas normalmente ele desconhece esse apelido e acha que você gosta dele. A pessoa te ama e acha que a recíproca é verdadeira, se liga na audácia.
Daí, no desespero, você faz o que qualquer pessoa adulta e sensata faria: finge falar no celular, revira a bolsa, joga o cabelo na cara, fica de costas, amarra o cadarço, tenta se esconder atrás da pessoa que está na sua frente… Você usa todas as artimanhas possíveis pra não dar de cara com o (ou a) infeliz, obviamente que era preferível ter um revólver no bolso e acabar logo com a situação, mas não, o martírio é longo.

Não entendo essas pessoas que “nossa, que bom te ver”, manda logo um abraço apertado, se joga, dá beijinho, convida pra balada do dia e até atualiza telefones. Cara, eu não sou dessas. Nem quero, definitivamente. Mas é claro que a pessoa que você não quer encontrar é assim, é certo, é lógico!

Se você puder sair da fila ou do lugar que está, não pense duas vezes, saia! Saia, e saia correndo sem olhar pra trás. Só não finge que desmaiou, isso costuma ser muito pior, vai por mim.
Fica de sobreaviso que é muito, mas muito difícil se livrar de alguém assim. Chatos têm olhos de lince e estão prontos pra atacar a todo instante, eles estão lá feito bobões – sempre com aquelas mesmas caras de idiotas-retardados – e de repente:

— Aaaaaai, nossa, não acredito! Que coincidência, o que você está fazendo aqui?
* As frases numeradas são apenas pensamentos ou comentários específicos, infelizmente.

  1. Qual o seu problema?
  2. Nem eu acredito, foram pedras que joguei na cruz ou coisa pior será?
  3. Não, não é coincidência, é Karma, seu fdp!
  4. Eu também não sei o que eu to fazendo aqui, preferia estar no inferno do que ter que olhar pra sua cara de novo. Isso é pergunta que se faça?

— Hahaha, né? To aqui – pagando contas, comprando pão, retirando ingresso, esperando o show, dando a bunda – e você?

— Poxa, que legal! Quanto tempo, ein, nossa. Você sumiu!

  1. Não, não é legal.
  2. Sim e poderia ser o dobro dele mais a eternidade.
  3. As pessoas chatas sempre acham que todo mundo some, lide com isso.

— É verdade…

— E aí, o que você anda fazendo? Tá trabalhando?

  1. Sempre o “anda fazendo”, como se eu pudesse andar e fazer alguma coisa ao mesmo tempo.
  2. Que te importa? Minhas contas tão chegando na sua casa?

— Nada demais, to trabalhando sim, estudando em casa…

— Eu to trabalhando na empresa ‘X’, conhece?

  1. Não te perguntei nada.
  2. Não conheço, mas amanhã eu vou botar alguns explosivos por lá.

— Que legal, ah, conheço, conheço…

— Tem visto alguém da turma?

  1. Não e nem quero. Morre, por favor?

— Não, nunca mais falei com ninguém.

— E você tá namorando, tá enrolada?

  1. “Não interessa pra você, palhaço!” (Diabo, Morre)

— Não, to nada.

— Vamos ver de marcar alguma coisa qualquer dia, o que você acha?

  1. Eu quero ver você na puta que te pariu! Isso que eu quero ver.
  2. O que eu acho? Sério? Eu acho uma merda.

— Claro, vamos ver sim.

— Então tá bom, agora preciso ir porque marquei hora com Fulano aqui perto. A gente vai se falando…

  1. Eu perguntei alguma coisa? Acho que nã-ão…
  2. E o gerúndio sempre presente nos diálogos forçados.

— Beleza, vamos sim.

Beijos

— E vê se aparece, ein!!!

  1. E vê se morre, ein?!
  2. Se for pra encontrar com você de novo, eu desapareço pro resto da minha vida.

— Haha, você também.

— Bom te ver, tchau!

  1. Tenha uma morte lenta. Adeus!

— Também, tchau.

A vida é uma bosta, não? A gente tem que fingir um diálogo ‘ok’ e razoável com a pessoa só pra não ficar muito chato.
Se eu sumi, por livre e espontânea vontade, não me procure.
Chato que é chato não se manca. Chato que é chato insiste. Não importa quantas vezes você o ignore ou deixe de respondê-lo, ele não vai entender, ele é cha-to, ele tem problema. É caso sério, vai achando.
Juro que tento entender esse ‘vê se aparece’. Cara, se eu desapareci, teve um motivo: eu não gosto de você! Tá, sem extremismos porque às vezes a gente perde o contato por falta de tempo mesmo, mas, velho!, na maioria das vezes é pelo simples fato de estar pouco me fodendo pro que acontece com você e com a sua vida. Simples assim. Verdade dói, que merda.

Adriana Cecchi

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3 Responses to Vê se aparece!

  1. Paulo Lacerda Marques says:

    Cara,voce leva jeito.Assim vai longe…Não quero ser chato(*).

  2. Problema é quando saber se fala ou não com a pessoa… e aí, como faz?

  3. Mari says:

    É quando a gente não quer, que um fdp desses aparece!

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