Arquivo de outubro de 2012

24.10.2012

Neil Young – Heart of Gold Essa vida é curta Curta de tempo, curta de distância Bem curta Curta, curtinha, encurtada Passa num sopro Meio fio Para que eu vou descer do carro Quero ir a pé Andar na chuva Molhar os sapatos Sentir o vento penetrar na minha alma Procurar por corações de ouro como o Neil Young canta E bater com a cara no muro quando pensar que encontrei algum A incerteza é que me move, que me tira do lugar Incógnita, inconstância, indiferença, incoerência Não me espera pra jantar Eu posso demorar Aproveitar o tempo que ainda Continue lendo

Ela está lá para todos, mas só usa quem quiser. Uma realidade paralela. O mundo para de girar, a cabeça fica distante. Passa por ruas, avenidas, casas, grandes jardins, prédios, comércios, carros, motos, praças, pontes, muros e concretos. Passa por casais de mãos dadas, crianças de uniforme, moradores de rua, homens de gravata e mulheres de vestido. Passa por semáforo, lixo, gente e bicho. Quadro em movimento e tempo congelado, paradoxalmente no mesmo vidro. Tudo fica em suspenso, ao menos por um momento. Agonias, saudades, angústias, dores, aflições, dúvidas, amores não correspondidos, crises existenciais, arrependimentos, decisões importantes, problemas familiares, urgências, Continue lendo

Tomou uma ducha bem fria e deitou. Sabia que dormiria pensando nela. Nas palavras, nos toques e nos suspiros que não aconteceram. Desejou com todas as forças que ela estivesse ali ao seu lado. Ele tentaria perguntar por que ela não apareceu antes em sua vida, mas ela o calaria colocando um dedo levemente em sua boca e depois ela daria um sorriso de lado com os olhos cerrados, como se aquilo não importasse mais agora. E então seu olhar imploraria por um beijo dela. Um carinho. Um menor afago. Sentiria o perfume daqueles longos e cacheados cabelos escuros como Continue lendo

Despertou no meio da noite, como de costume, com a boca seca. Eram 03h17. Tateou o criado-mudo na cabeceira à direita da cama, passou a mão pelo livro de centenas de páginas amareladas e capa de couro vinho que não conseguia terminar e encontrou o que buscava: água. Todos os dias deixava religiosamente um copo largo e comprido de água ao seu lado, como se precisasse disso para dormir com tranquilidade. Sentou-se na cama, não enxergava um palmo a sua frente, mas não fazia questão de luz, aliás, só dormia se a escuridão fosse total. Deu três curtos goles, ainda Continue lendo

Primeira coluna de autores convidados, texto por Stephanie Roque O rádio do carro demorou para sintonizar no programa que alerta os motoristas sobre o trânsito, e por isso, fiquei preso num congestionamento de volta pra casa. Fiquei tempo suficiente para contar as moedas que estavam guardadas no carro, separar as contas e ler um capítulo do livro que um rapaz do trabalho me emprestou. Quando cheguei em casa, deparei-me com Rita sentada nas escadas, com fones de ouvido, lendo um livro. Ela já estava de pijamas, mas continuava linda. Seus cabelos estavam trançados e seus olhos castanhos-claros se ergueram ao Continue lendo

Kogonada reuniu vários takes de filmes do Quentin Tarantino, todos de baixo pra cima. Aos Tarantinescos, assim como eu, recomendo: [vimeo video=37540504] Via Trabalho Sujo

02.10.2012

Ainda não me acostumei com essa intimidade transformada em diplomacia. Essa polidez. Essa educação. É como se eu nunca tivesse sentido um suspiro longo e profundo seu ao pé do meu ouvido. Oi, como está? Logo nós, que completávamos a fala um do outro, agora, não passamos da mera trivialidade. E em casa, tudo bem? Me sinto desconfortável. Chega a ser sufocante te conhecer tão bem. Trabalhando muito? A página foi virada para ambos, não há outra chance, não há outro meio. Ouvi que vem uma frente fria na sexta. A falta de espontaneidade pesa cruelmente em cada frase. E Continue lendo