Tomou uma ducha bem fria e deitou.
Sabia que dormiria pensando nela.
Nas palavras, nos toques e nos suspiros que não aconteceram.
Desejou com todas as forças que ela estivesse ali ao seu lado.
Ele tentaria perguntar por que ela não apareceu antes em sua vida, mas ela o calaria colocando um dedo levemente em sua boca e depois ela daria um sorriso de lado com os olhos cerrados, como se aquilo não importasse mais agora.
E então seu olhar imploraria por um beijo dela. Um carinho. Um menor afago.
Sentiria o perfume daqueles longos e cacheados cabelos escuros como a noite, iria entrelaçá-los em seus dedos e depois tocar sua nuca.
Riria de alguma piada mal feita que ela fizesse, pois toda a graça estava mesmo no jeito com que ela falava e como levava a vida.
Poderia ver bem de perto aqueles olhos que mudavam de cor conforme a luz, tão grandes, tão doces, tão misteriosos.
Faria qualquer elogio só para vê-la sem jeito, ficava ainda mais linda com as bochechas vermelhas tentando esconder o rosto entre os lençóis.
E ele se arrepiaria quando, de repente, ela encostasse os lábios em seu peito.
Passaria a mão no ombro, no pescoço e no colo dela, depois abriria os botões de sua blusa, como há tanto tempo queria ter feito.
Os dois fechariam os olhos e de longe poderia ser visto que aquele encaixe era perfeito.

Quando ele já estava quase pegando no sono, a campainha tocou.
Não esperava ninguém em casa, mas levantou e foi olhar.
Era ela.
Era ela com aquele sorriso tímido e braços cruzados, batendo o pé ao perguntar se ele não a convidaria logo para entrar.
Era ela.

Agora ele poderia viver tudo o que havia imaginado minutos antes.
E um pouco mais.

Adriana Cecchi

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