cat-textos
05.04.2013

A ponta do lápis quebrou
Nem a borracha pode apagar
O vinco que o grafite deixou
Rasguei a folha ao meio e a amassei
E para longe o sulfite rabiscado eu arremessei
Descartável

Girei o registro do chuveiro
A água quente caía durante o banho
E deixava uma nuvem branca no banheiro
Passou por todo meu corpo cheio de sabão
Escorrendo pelo ralo sem mais necessidade pelo vão
Descartável

O cheiro de azedo subiu e empesteou o lugar
Deixaram aberta a tampa da panela de feijão
Tão ruim que até faltou o ar
Minha mãe diria que é pecado perder comida assim
Mas não há nada mais que esse feijão possa fazer por mim
Descartável

Ela disse que me amava com uma lágrima no rosto
Dei um passo pra trás e, por tudo que é mais sagrado,
Respondi-lhe que não poderia assumir esse posto
Fechou os olhos e deu meia volta
Vi se afastar até perdê-la de vista, mas toda noite ao deitar
É só ela quem eu penso em abraçar.

Adriana Cecchi

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *