Desde pequena, eu sempre gostei desse lance de jogar as coisas fora, sabe? Sair catando bagulho pela casa, arrumar armário, dar tapa na parede, jogar tudo em cima da cama, amassar papel e, em seguida, arremessar no lixo na tentativa de fazer uma cesta. Cesta!

Louca? Talvez.

Sem pedantismo, poucas sensações podem ser tão boas quanto a de se livrar de lixos, sejam eles recicláveis ou orgânicos, o livramento é uma verdadeira bênção, meu amigo.

A partir do momento que àquela coisa, de alguma maneira, não te pertence mais, desapega! Jogue-a fora! Se livra! Bota fogo! Por falta de tchau, adeus!

E mete bronca aí nas exclamações porque é um verdadeiro alívio, seja a montoeira de papel acumulado; a camisa xadrez rasgada de dez anos atrás; a foto da sua ex que te trocou por um coxinha idiota; as cartas do ex que te traiu com meia cidade e nunca saiu do seu pé; as contas passadas; as pessoas interesseiras; os espelhos quebrados; os “amigos” falsos; o autógrafo do vocal da sua banda favorita, opa!, esse fica, esse fica, mas de resto, seja o que for, livre-se.

Acumular papéis e sentimentos é pura perda de tempo. Tudo passa muito rápido pra perder tempo na organização de prateleiras reais e mentais, ou vai querer tirar o pó de tudo isso a toda hora?

Não é papo de autoajuda, no mais eu quero é que tudo realmente se foda muito e bem gostoso, mas quando eu vejo gente querida sofrendo por apegos inúteis fico chateada. Não tem como um apego ser saudável em vida, o negócio te consome mais do que craque.

Pula a linha, vira a página, derruba o guarda-roupa e começa do zero. É isso.

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