Meus dias nascem aos gritos
em horários diferentemente desconhecidos.
Um estalar de xícaras,
soluções, confissões
e noções argumentativas sobre a vida.
Uma cama por fazer
ao som de notícias espalhafatosas.
De fundo, um violino entristecido.
Roseiras destruídas por mãos finas,
mas não tão delicadas.
No meu modo,
sobreviver com café amargo,
cigarro e textos proibidos.
Tive pra mim a teoria sobre olhos fechados
desgraçados pela explosão de luzes
ao abrir qualquer janela
entre raios e cruzes.
Em cima da mesa
o jornal do avesso, meias escuras
e ligações perdidas.
Desço a rua para comprar pastilhas,
caminho sobre os restos de uma fábrica
de caráter duvidoso.
Num vão de porta,
sou atirada a cães e putas.
Um homem de cavanhaque branco
e terno bem costurado
puxa uma faca brilhante
acertando em cheio
o meu coração cansado.

Adriana Cecchi

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