Você que nunca leu Tubarão, você que viu apenas o filme, posso vê-lo franzir a sobrancelha, posso ouvi-lo dizer para si mesmo: “Romance? Máfia? Do que ele está falando? Onde está tudo isso?” 
Leia, por favor, e descubra por contra própria.
Peter Benchley (2005) – Introdução do livro

Lombada Tubarão

Baseando-me no filme, eu me perguntava como seria um livro cujo protagonista é um peixe com barbatanas e uma bocarra cheia de dentes afiados? Como seria a leitura de páginas e páginas desse terror no mar? A melhor forma de se evitar um tubarão é não entrando no mar, não é mesmo?

Resenha TubarãoResenha livro Tubarãoedição brochura com a capa book frame que abre com cena do filme

O considerado primeiro blockbuster de Steven Spielberg conta com trilha sonora de John Williams cuja música-tema entrou para as mais clássicas – e arrepiantes – do cinema. Dá play rapidão e continue lendo.

Enquanto no filme a história é focada no tubarão e sua caçada, o livro traz um enredo cheio de vertentes a partir da aparição do tubarão na cidade e tudo que ela acarreta nessa sociedade – afetando moradores, turistas, trabalhadores, política e uma série de outras coisas.

Logo na segunda página do livro, pude sentir a aflição e tensão que o autor Peter Benchley construiu em seu romance, pasmem, de estreia! Não é à toa que Tubarão superou a marca de 20 milhões de exemplares vendidos – dados estes de 2006 (ano de morte do autor), imagina agora com essas duas reedições lindas da Darkside BooksSpecial Edition: capa dura efeito soft, marcador de tecido e borda das páginas em vermelho; e Classic Edition: clássica-nada-clássica, em brochura e com capa Book Frame que se abre em 4 partes com poster do filme.

Livro Tubarão

“A cem metros da praia, o peixe sentiu uma alteração no ritmo do mar. Ele não via a mulher e tampouco lhe sentia o cheiro. (…) Os nervos detectavam as vibrações e informavam ao cérebro. O peixe mudou o curso, passando a seguir em direção da praia”.

A história se passa em uma cidade litorânea ficcional de Long Island (Nova York) chamada Amity. Um corpo (ou o que restou dele) de uma turista é encontrado na praia, o chefe de polícia Martin Brody ordena o fechamento das praias da região. Porém Amity é um balneário turístico que precisa de bons verões para manter bons invernos.

“(…) Mesmo depois dos melhores verões, os invernos em Amity eram difíceis. Três em cada dez mil famílias passavam necessidades no inverno (…)”

Larry Vaughan, prefeito da cidade, analisa este ponto e se preocupa mais com o dinheiro dos veranistas do que com a segurança dos mesmos e abafa a notícia da mídia, liberando novamente as praias à população. Um verdadeiro banho de mar… DE SANGUE.

Dentro do livro

Detalhes do livro Tubarão

Com a narrativa em terceira pessoa, o livro é divido em três partes:

PARTE I
De início, doses de terror pra gente logo se ambientar com a fera do mar. Em seguida, temos o enredo geral de Amity, fatos, causos e todos os problemas que um tubarão fora de seu habitat natural pode causar em uma cidade. Lado político, policial e jornalístico que dão o pontapé inicial para desenrolar a trama.

PARTE II
Temos um aprofundamento dos personagens, fluindo entre as subtramas de cada um. Questões pessoais (drama familiar, crise de meia-idade e romance) que não têm a ver com o tubarão em si, mas despertam interesse e curiosidade sem prolongar-se ao ponto de prejudicar o ritmo da história. Um pano de fundo muito bem construído.

PARTE III
A caçada! Mar, barco, arpões, dentes, sangue, AHHHH! A espera do trio responsável por capturar a fera do mar pela aparição do peixe gera um cenário de conflito e tensão, combustível para o suspense, rondando-nos com a pergunta: “será que algum deles não voltará vivo da missão?”

Resumindo, temos 3 histórias em 1: doses de terror, drama e aventura-suspense.

Páginas Tubarão

O autor domina o ritmo e as transições de cena de modo afinado, conseguimos imaginar todo o clima de suspense construído e, junto aos personagens, nos vemos tensos com as situações. Benchley também não poupa nos detalhes sobre os ataques, descreve com precisão e objetividade o que realmente acontece quando um tubarão resolve dar uma mordiscada em uma pessoa.

Peter Benchley (1940 – 2006) teve sua estreia na ficção com Tubarão (1974) e, com Carl Gottlieb, escreveu o roteiro da adaptação para os cinemas (1975), o sucesso foi instantâneo.  Seu interesse pelos oceanos está presente em todos os seus romances (o que me faz querer ler mais do autor ainda mais). O impacto de Tubarão foi grande, o medo das pessoas resultou em perseguições desenfreadas a esses peixes, sendo assim, Benchley se tornou um ativista contra a matança indiscriminada dos tubarões.

Título: Tubarão
Título original: Jaws
Autor: Peter Benchley
Editora: Darkside Books
Tradução: Carla Madeira
Número de páginas: 280
Gênero: Suspense
*Livro cedido em parceria com a Editora Darkside Books.

Devore ou seja devorado!

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Submarino: Edição Especial | Edição Clássica
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    Maravilhosamente bem escrito por ex-policiais e um sociólogo,
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    Casos reais. Episódios independentes. Capítulos de apenas 4 páginas.

    Realista e surpreendente. Sim, os desfechos e reviravoltas SEMPRE pegam o leitor de surpresa. Texto forte, no humor e no horror. O âmago da realidade brasileira: a violência urbana em situação de guerra do Estado contra o povo.

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    No caso do Brasil, os piores profissionais do mundo.

    Difícil é saber distinguir quem são os piores bandidos:
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    Leitura OBRIGATÓRIA a todos os cidadãos brasileiros sérios, conscientes e preocupados.

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