“A morte é caprichosa, zelosa.
E quer você também, caro leitor.
Aceite sua mão estendida, olhe em seus olhos sombrios e sorria com ela.
Não há escapatória.”

Crônicas dos Meus Pés Descalços: Ou de Quando Visitei o Inferno

Recebi alguns livros em parceria com a Editora Estronho, que conheci este ano e – de cara – me encantei pelo trabalho, pelo nome já dá pra entender o porquê.

Falarei sobre todos eles em posts separados, começando por este de crônicas do autor Marcelo Amado. E que crônicas! A começar pela dedicatória, cujo trecho: “É complicado dedicar um livro como esse a alguém. Fica estranho. Não combina escrever algo tão sombrio e dizer “Oi, esse livro é pra você”.

Textos

Sinopse. A Morte tem o poder de encantar. Ela pode ser sedutora, fazer com que se apaixonem e realizem seus desejos mais intensos, terríveis. Essa dama elegante trabalha bem através de psicopatas, assassinos, demônios… E encanta nos textos poéticos de Marcelo Amado, nas suas loucuras internas depositadas nessas páginas.

Um total de 30 textos curtos em prosa que me cativaram não só pelo teor sombrio como também pela escolha dos títulos.

Notas do autor

Marcelo Amado trouxe com “Crônicas dos Meus Pés Descalços: Ou de Quando Visitei o Inferno” um verdadeiro diálogo com o leitor. Como se realmente fosse possível conversar com o livro, entender toda a evolução até chegar ao final.

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Com ilustrações de Gustave Doré (♥), o livro é pequeno em formato quadradinho e curto com 128 páginas. A leitura é bem rápida, os textos são profundos, mas vão direto ao ponto.

Gustave Doré

Concordei com cada palavra de Valentina Silva Ferreira na orelha do livro:

A cada texto: um golpe na carne, uma respiração falhada, um pestanejar prolongado. “Era uma vez” um poeta da vida, um escritor da morte. A cada palavra: um sufoco, um aperto, uma tentativa de fuga. Um sorriso escondido. Não vou dizer que foi o melhor que li na minha vida; mas foi o que melhor leu a minha alma. Livros que nos leem são difíceis. Perigosos. São para sempre.

Ao se identificar com um livro, ele parece que está falando diretamente com você. Acho isso incrível.

Crônica

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Extra | Casas Bahia

Frases e trechos o livro Crônicas dos Meus Pés Descalços:

“A Bíblia amarrotada, manchada de frases decoradas, parecia ampliar a voz sonolenta e carregada de má vontade do condutor: Próxima estação… Inferno!” PRÓXIMA ESTAÇÃO

“Mortos não aplaudem.” AINDA OUÇO BRAHMS

“Sou seu verdadeiro ser. Quando venho à tona, sou tratado como doença. Como desvio de personalidade. E minhas atitudes são denominadas atrocidades. Mas, na realidade, o que faço é apenas revelar sua mente sem censura, sem pudor, sem vergonha.” NÃO FUJA MAIS

“Rasgo as costas de alguns e deixo escorrer o que resta: água negra, resquícios de uma vida terrena.” O DIABO OUVE BLUES

“Eu sou a morte suave, que abraça os tons rudes e acalenta com as piores canções. Aquela que ama e destrói.” A MORTE QUE HABITA O JARDIM DAS FLORES SUSPENSAS

“Cumpra seu tempo, talvez seja menos do que precisa. Corte tudo ao redor e molde sua casa, imensa, vazia.” CICLO DO VENTO FRIO

“Não estava respirando o ar dos vivos.” INEXISTENTE

“Escrevo melhor no escuro. Só a luz do notebook e o reflexo em meus óculos. Escrevo melhor sob o vento que vem do ventilador, ou da janela, quando o calor castiga a cidade. Escrevo melhor quando choro minhas saudades ou quando lamento meus fracassos temperados com a luz do dia que se foi.” IRREALIDADE CONSUMIDA

“Meu cotidiano não cicatriza. É corte contínuo que sangra até a morte que vem ao anoitecer. E morre. Morre fácil ao rever o ciclo se repetir a cada maldito nascer do Sol.” ONDE TUDO É BRANCO

“Eu só queria um mundo que acabasse  comigo sem que eu sofresse com as perdas involuntárias.” MINUTOS ANTES DE MORRER

“Gatilho e pólvora com ferrugem na boca. Esvai e coagula o vermelho da desistência. A curiosidade mórbida sobre seu destino incerto: Paraíso ou Inferno, lembrança das aulas de catecismo.” SUICÍDIO

Sobre o autor

Marcelo Amado é mineiro de Belo Horizonte, adotado por São José dos Pinhais e Curitiba. Casado com Celly Borges, também escritora, e apaixonado por seus filhos Bruno e Rafael, seu afilhado Gabriel e seu filho felino Anakim Miau Skywalker.

Marcelo Amado
Começou a escrever em 2004, inspirado nos contos de escritores nacionais de literatura fantástica. É fã de Ken Follett, Edgar Allan Poe, Augusto dos Anjos e outros. Brinca com as palavras sem compromisso com gênero ou estilo literário.

Autor dos livros de contos Aos Olhos da Morte e Empadas e Mortes. Coautor em mais de 20 antologias nacionais de literatura fantástica. Já organizou várias coletâneas da Editora Estronho, da qual é o editor responsável por mais de 70 publicações (e contando). Criador do site Estronho e Esquésito, fundado em 1996 e um dos idealizadores do evento Mondo Estronho.

Título: Crônicas dos Meus Pés Descalços: Ou de Quando Visitei o Inferno
Autor: Marcelo Amado
Editora: Estronho
Número de páginas: 128
Gênero: Literatura Brasileira / Crônicas

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Comentários

2 Comentários | Adicione o seu

  1. Raquel Moritz disse:

    Achei legal vc citar os títulos dos microcontos. Também foi uma das coisas que mais me chamaram a atenção <3 :)

    Bjs!

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