“Todo mundo tem pelo menos um pouco de loucura rolando logo abaixo da superfície.”

Placebo Junkies

De cara, o título me despertou muita curiosidade pra essa leitura. Placebo Junkies conta a história da Audie, uma jovem como qualquer outra, que encontrou uma forma incomum de descolar uns trocados: ela serve de cobaia para a indústria farmacêutica. Em suas próprias palavras:

“Você não chega aqui a bordo do espress yuppie, sabe?
Se você está disposto a vender a pele aqui, há grandes chances de que você
provavelmente já a tenha vendido de algum outro jeito, em algum outro lugar.”

A premissa é bastante interessante, nunca parei pra pensar como seria a vida de cobaias profissionais de empresas farmacêuticas, pessoas que se dispõem a ser “ratos de laboratório”, testar novos remédios, drogas que ainda não entraram no mercado a fim de regular dosagens e descobrir quais podem ser os efeitos colaterais.

O que levaria uma pessoa a fazer parte disso?

“Acho que tem algo na vida de cobaia, toda essa aposta com a mortalidade, que deixa uma pessoa insensível. Como se fosse difícil apreciar o valor de qualquer objeto, de qualquer coisa, se você já começou a vender a própria carne pela melhor oferta. O que é mais valioso que isso?”

Todos os testes são pagos, dos mais simples (como exames de urina) até os mais complexos (como os psiquiátricos).

Audie diz pra si mesma que “não há ganho sem dor”, sua intenção sendo “rata de laboratório” é ganhar dinheiro suficiente para fazer uma viagem à Patagônia com Dylan, seu namorado, que faz tratamento contra um câncer. A origem da doença é posteriormente detalhada no livro.

É uma ideia completamente maluca: fazer diversos testes de drogas em um curto período de tempo; mas Audie faz por Dylan.

Placebo Junkies

Placebo Junkies

“Então, claro, essa vida pode me matar.
Mas, na minha experiencia, a vida real mata você ainda mais rápido.”

Audie ainda é uma adolescente, mas graças a uma identidade falsificada, leva uma vida independente junto Charlotte – sua grande amiga e também cobaia humana -, em um apartamento alugado por um “empreendedor de laboratório”.

Da metade do livro pra frente, há um grande plot twist na história. Depois que a gente começa a se habituar com a rotina de Audie, prós e contras, e um entendimento sobre a situação, tudo muda. Uma morte acaba levantando pontos importatíssimos para o desfecho final da trama.

“Somos pessoas com cadeiras vazias em nossos funerais.”

A narrativa de J. C. Carleson é bastante fluída e direta, mas ao mesmo tempo parece uma viagem maluca e sem freio. Ao acompanhar a vida de uma garota que já misturou vários tipos de remédios, a história não segue uma linha de raciocínio muito organizada, assim como realmente é a mente de Audie na maior parte do tempo.
As últimas cem páginas tornam-se reveladoras e vão te fazer lembrar de algumas obras famosas, mas não tem como citar nomes ou o quê, porque seria um spoiler gigante e acabaria com a experiência da leitura.
Placebo Junkies
Nossa Audie capricha no humor negro, mesclando cenas cômicas com momentos pesados. Os capítulos têm formatos variados: posts de blogs, cartas, flashbacks, cenas de filme amador.
Uma leitura rápida, repleta de autoavaliação e grandes questionamentos.

“Não é assim que funciona? É influencia da lua: todo mundo é fodão sob a luz certa.”

Título: Placebo Junkies
Autor: J. C. Carleson
Editora: Rocco, selo Fábrica 231
Número de páginas: 304
Gênero: Romance norte-americano
*Livro cedido em parceria com a Editora Rocco

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