(Ins)pirações

26mar

Suculenta

Atualizado por Adriana 26.03.14 às 09:30
Suculenta

Tenho ossos e veias evidentes Olheiras arroxeadas em toda volta Um olhar amanhecendo atordoado Anoiteço contra o sol Sei de tudo o que acontece Pingos caem da chuva Carros colidem na rua Malandros surrupiam as carteiras Homens pagam por putas Mãos seguram teu copo Mãos seguram teu corpo Lábios te cercam pela nuca Lábios te cercam como nunca O tempo nada apaga Quando a memória é vingativa Eu seria feliz se te visse de novo Se ainda ouvisse teus passos pelos corredores Mas isso antes de eu ter colocado Àquela comida suculenta no teu prato Adriana Cecchi

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06jan

Vício

Atualizado por Adriana 06.01.14 às 15:52
Vício

  Não chega tão perto Que eu fico confusa Já não sei se é certo O jeito que me usa Eu vou te contar Contar o que sonhei Noite passada me faltou o ar De tanto que gritei Veio como quem não quer nada Decidido, Mas devagar Achei que fosse piada Indefesa e sem munição Num golpe certeiro Enfiou uma estaca em meu coração E o pior de tudo é que depois disso Eu não queria, mas Você virou o meu maior vício Adriana Cecchi

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09dez

Escrever, apesar de

Atualizado por Adriana 09.12.13 às 21:11
Escrever, apesar de

Sabe, sou do tipo de valoriza e coleciona canetas de ponta fina. Como costumo dizer, escrevo pra me libertar, porque terapia custa caro. E muito! Escrever sempre foi a minha válvula de escape. Pratico desde que ganhei meu primeiro bloquinho, evoluindo para os diários adolescentes, rabiscando folhas soltas e, cá estou agora, digitando com a cara enfiada na tela do notebook. Nas linhas consigo mostrar a maior parte do que eu sou. Escrevo, logo não falo. Eu conto a minha história, revelo referências, a escrita é uma pequena extensão do meu próprio corpo, poderia chamar de “terceiro braço”, sem veia nem sangue, sem músculo ou nervo, mas que pulsa através do coração e da mente, fazendo a caneta sangrar em ..

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04nov

Tudo vai passar

Atualizado por Adriana 04.11.13 às 20:17
Tudo Vai Passar

Mas me diga, seu moço Há de se lembrar Que hoje temos um encontro E como prometido Virá me buscar Volta aqui, seu moço Não adianta assim se apressar Que o mundo é uma correria Daqui a pouco é meia noite De repente tudo sai do lugar O que há de novo, seu moço Que está com essa cara de quem vive a sonhar São tantos contratempos Dúvidas, falácias e empecilhos Que não poderá mais chegar? Oh sim, eu entendo, seu moço Tudo bem, com o tempo vai melhorar Sei o que é isso que assola e te vira do avesso Mas, uma certeza, não importa o que aconteça Assim como a onda no mar, tudo vai passar. Adriana Cecchi

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09set

Página 81

Atualizado por Adriana 09.09.13 às 10:00
pagina-81

Deitei, eram 22h10. Peguei o livro no criado-mudo, o marcador não estava nem perto da metade. Abro, página 81: “Florence entrou na sala de jantar: – Boa noite – disse (…)” Boa noite. As letras começam a se distanciar, as palavras perdem o sentido. Leio a frase, mas que frase? Não existe mais pontuação. Preciso cumprir toda a lista de tarefas do trabalho. Metas. Prazos. Hum, que vontade de comer aquele mesmo doce que comi ontem no almoço. Não posso esquecer de comprar o presente de aniversário da Fulana, é semana que vem. Que merda, esqueci de dar parabéns pro Ciclano ontem, não acredito. Preciso arrumar meu armário. O quarto está uma bagunça. Será que tem comida no pote pra ..

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