Quero escutar tuas coxas, queimar minha orelha nelas Me aproximo e penso em te pedir um abraço E então, com os olhos Apenas com os olhos, entro nos teus olhos coloridos em verde Lá embaixo, os pés. As meias atrapalham Os pés se viram até ficarem nus e dançarem no ar Esse mesmo ar que você respira Que sai da tua boca e vem pra minha Inspira Quero deitar na tua fala quando você fala Este medo que agora sinto Vem das tuas curvas tão leves e tão brancas Observo o consentimento e encosto minha mão Apertas os lábios e, Continue lendo

Coluna de autores convidados, texto por Pedro Catarino Como é de costume e corriqueiro, meu fone de ouvido parou de funcionar. Ela me olhou e disse: “Vamos comprar um fone bem legal para você!”. Eu concordei. O tempo passou e, ainda que sobre as insistências dela, procrastinei. Com pressa, numa tarde de sábado, entrei numa loja qualquer e pedi o primeiro fone que vi pela frente. Alguns trocados e “problema resolvido”. “Esse fone não vai prestar…” ela disse. Assim que o liguei percebi que o lado esquerdo pipocava e o direito não tinha um som limpo. “Pedro, eu pago, vamos comprar Continue lendo

23.04.2013

Não quero um pronome pra te nomear Quero apenas que goste de estar por perto sem hora pra voltar Não quero usar uma palavra pra te classificar Quero apenas mordidas descompromissadas no pescoço que me causem falta de ar Não quero que me mande flores Quero apenas que seus dedos se enrosquem em cada fio de cabelo meu e depois os puxe sem muitos amores Não quero que me dê satisfações ou me explique porque não veio da outra vez Quero apenas sua mão na minha cintura e um suspiro ao pé do ouvido sem nenhuma polidez Não quero que Continue lendo

12.03.2013

Eu não sei o que é isso, doutor. Será que vou mesmo partir sem entender? Infelizmente não tenho como precisar quando tudo começou. Isso que me aperta o peito. Que me pulsa na cabeça. Que cora o rosto. Só me dei conta da seriedade ontem, pois acordei no meio da noite aos calafrios. Coisa boa não pode ser, de fato. Pode dizer, doutor. Vai. As pessoas reparam, as pessoas comentam. Parece quem todos percebem. Já ouvi história de gente que se matou logo após os sintomas. Sabe, os vizinhos costumam falar de gente que vive avoada. De repente alguém começa Continue lendo

Coluna de autores convidados, texto por Stephanie Roque Gaspar caminhava com os passos lentos, envergonhados, sem saber se fazia o correto. Estava num lugar estranho e repleto de pessoas desconhecidas, e o medo de que estas o vissem era quase maior do que o prazer de finalmente estar ali. Tantas mesas, tantas estantes, tantas pessoas, tanto silêncio! Respirou fundo e achou uma cadeira vaga. Mesmo sendo de madeira, parecia o móvel mais confortável em que Gaspar havia sentado em anos. Pensou em toda a luta pela qual ele passara. O ano inteiro de batalhas, com conquistas e derrotas. Pensou em sua Continue lendo

27.02.2013

Não me recordo de como aconteceu Apareceu em minha frente Roubou meu coração e entregou-me uma flor Cheirava a mel e hortelã fresca O ouvi dizer belas palavras Lamentei por não saber respondê-las a altura E ele fora embora Pra longe com certeza ele fora Sei disso tão bem quanto o cair da noite e a luz do luar Impregnada ainda com o cheiro de sua flor, juro nada mais querer A não ser cair em um longo e profundo sono Adriana Cecchi

Coluna de autores convidados, texto por Marcela Oka E aí você se pega com aquele sentimento… Saudade. E uma saudade inesperada, porque você nem tem tanta certeza do que você tem saudade. Porque até então você tinha um padrão estabelecido que te deixava metodicamente confortável. Um padrão onde o que tinha acabado, ficava pra trás. Sem mágoas ou raiva, porque a data de validade desses sentimentos já tinha expirado. Então simplesmente ficava pra trás, guardado numa caixa dentro do depósito, como aquelas coisas que a gente não tem onde colocar quando muda pra casa nova, sabe? A caixa estava no Continue lendo

Tomou uma ducha bem fria e deitou. Sabia que dormiria pensando nela. Nas palavras, nos toques e nos suspiros que não aconteceram. Desejou com todas as forças que ela estivesse ali ao seu lado. Ele tentaria perguntar por que ela não apareceu antes em sua vida, mas ela o calaria colocando um dedo levemente em sua boca e depois ela daria um sorriso de lado com os olhos cerrados, como se aquilo não importasse mais agora. E então seu olhar imploraria por um beijo dela. Um carinho. Um menor afago. Sentiria o perfume daqueles longos e cacheados cabelos escuros como Continue lendo

02.10.2012

Ainda não me acostumei com essa intimidade transformada em diplomacia. Essa polidez. Essa educação. É como se eu nunca tivesse sentido um suspiro longo e profundo seu ao pé do meu ouvido. Oi, como está? Logo nós, que completávamos a fala um do outro, agora, não passamos da mera trivialidade. E em casa, tudo bem? Me sinto desconfortável. Chega a ser sufocante te conhecer tão bem. Trabalhando muito? A página foi virada para ambos, não há outra chance, não há outro meio. Ouvi que vem uma frente fria na sexta. A falta de espontaneidade pesa cruelmente em cada frase. E Continue lendo

01.09.2012

Acho que escrevi um texto pensando em você Eu juro, ainda não sei o que isso quer dizer Comecei a te ver em todos os lugares Dos mais improváveis até Ruas, ônibus, shoppings e bares Pense que coisa louca, até na parede eu vi o seu rosto Mas nada me abalou mais quando, de repente, da sua boca eu senti o gosto Por isso, antes que qualquer coisa aconteça Deixo este bilhete pendurado na sua maçaneta Peço que leia e não se aborreça Não tem erro, você vai ver Passado alguns dias, é certo Irá me esquecer Adriana Cecchi