Meu coração tá dolorido Tá moído, dividido Meu coração tá esquecido Meu coração não pulsa, não pula Não ri nem chora Meu coração não vai, não volta Não fica nem implora. Meu coração tá parado Tá isolado, desamparado Meu coração tá ensanguentado – De que coração você está falando? – Do meu, ué. – E desde quando você tem? – Desde que eu comprei, inclusive, vou lá no açougue trocar, esse não tá funcionando não. Adriana Cecchi

Tenho pensado tanto em você Que mal sei o que dizer Até ouço seu cabelo crescer E o seu suor escorrer Sinto seu perfume no ar Seu coração pulsar Sua veia dilatar Seu olhar paralisar Vai, vai pra longe Porque com isso a brotar Vai, vai agora Não há o que pensar Mas não entendo o ditado De que se meu coração Tivesse quebrado Eu estaria morto e enterrado Adriana Cecchi

Despertou no meio da noite, como de costume, com a boca seca. Eram 03h17. Tateou o criado-mudo na cabeceira à direita da cama, passou a mão pelo livro de centenas de páginas amareladas e capa de couro vinho que não conseguia terminar e encontrou o que buscava: água. Todos os dias deixava religiosamente um copo largo e comprido de água ao seu lado, como se precisasse disso para dormir com tranquilidade. Sentou-se na cama, não enxergava um palmo a sua frente, mas não fazia questão de luz, aliás, só dormia se a escuridão fosse total. Deu três curtos goles, ainda Continue lendo