Ela está lá para todos, mas só usa quem quiser. Uma realidade paralela. O mundo para de girar, a cabeça fica distante. Passa por ruas, avenidas, casas, grandes jardins, prédios, comércios, carros, motos, praças, pontes, muros e concretos. Passa por casais de mãos dadas, crianças de uniforme, moradores de rua, homens de gravata e mulheres de vestido. Passa por semáforo, lixo, gente e bicho. Quadro em movimento e tempo congelado, paradoxalmente no mesmo vidro. Tudo fica em suspenso, ao menos por um momento. Agonias, saudades, angústias, dores, aflições, dúvidas, amores não correspondidos, crises existenciais, arrependimentos, decisões importantes, problemas familiares, urgências, Continue lendo

27.06.2011

Sozinha, sentada num daqueles bancos mais altos dos ônibus, de cabelos soltos caídos no rosto e vestida com um enorme casaco preto. A garota realmente ficava muito bem de preto. Uma aparência serena; serena, mas triste. Como se estivesse triste por dentro e não quisesse revelar a ninguém. Impossível. Com aquele olhar fundo, tão distante e cheio d’água seria impossível disfarçar qualquer coisa. Nos fones ela ouvia uma bela voz rouca, daquelas que combinam alguns anos de cigarros, com outros de talento e afinação. A música era expressivamente triste, disfarçada pelo som da guitarra rasgada que aparecia de vez em Continue lendo