– Eu adoro a chuva. – Eu adoro você. – Eu adoro trovões. – E eu adoro a tua boca. – Para! – Você não acredita em uma palavra que eu digo? – Eu acredito… Em algumas. – Eu não te entendo. – Não precisa. – Você se fecha aí. – Vai começar… – Foge de mim. – Veja bem. – É verdade. – Verdade que não é mentira. – Sempre tem uma respostinha na ponta da língua. – Afio todo dia. – Tá vendo? – Não. O quê? – Como é insuportável. – Mas você gosta. – Gosto. – Continue lendo

22.09.2014

Quero ser teu abraço, Tua verdade. Quero ser tua bebida, E tua sobriedade. Quero ser teu ponto fraco E também o mais forte. Quero ser tua vida Sem medo da morte. Quero ser tua música, Tua vontade de dançar. Quero ser tua saudade E até um pouco do ar. Quero ser teu silêncio E também teu barulho. Quero ser tua sabedoria, Quero ser teu orgulho. Quero ser teu corpo, Quero ser tua alma. Quero ser teu movimento E também tua calma. Quero ser teu cigarro E quero ser tua cama. Quero ser tua, só tua Àquela que te ama. Adriana Continue lendo

06.01.2014

  Não chega tão perto Que eu fico confusa Já não sei se é certo O jeito que me usa Eu vou te contar Contar o que sonhei Noite passada me faltou o ar De tanto que gritei Veio como quem não quer nada Decidido, Mas devagar Achei que fosse piada Indefesa e sem munição Num golpe certeiro Enfiou uma estaca em meu coração E o pior de tudo é que depois disso Eu não queria, mas Você virou o meu maior vício Adriana Cecchi

Sabe, sou do tipo de valoriza e coleciona canetas de ponta fina. Como costumo dizer, escrevo pra me libertar, porque terapia custa caro. E muito! Escrever sempre foi a minha válvula de escape. Pratico desde que ganhei meu primeiro bloquinho, evoluindo para os diários adolescentes, rabiscando folhas soltas e, cá estou agora, digitando com a cara enfiada na tela do notebook. Nas linhas consigo mostrar a maior parte do que eu sou. Escrevo, logo não falo. Eu conto a minha história, revelo referências, a escrita é uma pequena extensão do meu próprio corpo, poderia chamar de “terceiro braço”, sem veia Continue lendo

Mas me diga, seu moço Há de se lembrar Que hoje temos um encontro E como prometido Virá me buscar Volta aqui, seu moço Não adianta assim se apressar Que o mundo é uma correria Daqui a pouco é meia noite De repente tudo sai do lugar O que há de novo, seu moço Que está com essa cara de quem vive a sonhar São tantos contratempos Dúvidas, falácias e empecilhos Que não poderá mais chegar? Oh sim, eu entendo, seu moço Tudo bem, com o tempo vai melhorar Sei o que é isso que assola e te vira do Continue lendo

No meio de uma complexa conversa de mesa de bar, um amigo virou e mandou: — Me fala três coisas que você ama e não se imagina sem. Rápido. Assim, na lata. Eu parei; parei e pensei. Pensei por um bom tempo e não consegui soltar uma palavra sequer. — Caralho, como assim você não ama nada? — Não. Não é isso. É que em tudo o que eu pensei, sei que posso viver sem. — Ah então você se basta, não precisa de nada? — Na real, ninguém precisa de nada nem outro alguém. Pessoal tem mania de confundir Continue lendo

27.06.2013

Eu não vou pensar em você hoje. Não vou pensar nos seus olhos fechados nem neles abertos. Não vou pensar no tamanho da sua pupila e muito menos nessas nuances de cor que insistem em me olhar. Não vou pensar na minha imagem de cabeça para baixo refletida na sua retina nem na frequência com que você abre e fecha suas pálpebras. Não vou pensar nos seus lábios nem nos sorrisos que escapavam deles. Não vou pensar no sabor da sua boca e muito menos nas respirações mais profundas que já me lançou. Não vou pensar em tudo o que Continue lendo

12.03.2013

Eu não sei o que é isso, doutor. Será que vou mesmo partir sem entender? Infelizmente não tenho como precisar quando tudo começou. Isso que me aperta o peito. Que me pulsa na cabeça. Que cora o rosto. Só me dei conta da seriedade ontem, pois acordei no meio da noite aos calafrios. Coisa boa não pode ser, de fato. Pode dizer, doutor. Vai. As pessoas reparam, as pessoas comentam. Parece quem todos percebem. Já ouvi história de gente que se matou logo após os sintomas. Sabe, os vizinhos costumam falar de gente que vive avoada. De repente alguém começa Continue lendo