Sinto muito, mas não sinto nada. Ela disse e partiu. Talvez nunca mais a veja, mas seu cheiro continua por aqui. Jamais esquecerei seu tom de voz carregado em bom e mau humor. Seu riso solto. Seu salto falho. Seu perfume forte. Sua falta de sorte. Sinto muito, mas não sinto nada. Não é do tipo que sente mesmo. Melhor assim.

– Eu adoro a chuva. – Eu adoro você. – Eu adoro trovões. – E eu adoro a tua boca. – Para! – Você não acredita em uma palavra que eu digo? – Eu acredito… Em algumas. – Eu não te entendo. – Não precisa. – Você se fecha aí. – Vai começar… – Foge de mim. – Veja bem. – É verdade. – Verdade que não é mentira. – Sempre tem uma respostinha na ponta da língua. – Afio todo dia. – Tá vendo? – Não. O quê? – Como é insuportável. – Mas você gosta. – Gosto. – Continue lendo