Categoria: Filmes ||| por Adriana Cecchi


Uma obra digna da zona de desconforto: o clássico perturbador da literatura japonesa Audição, escrito por Ryū Murakami.
Ryū Murakami é um premiado romancista, contista, ensaísta e cineasta japonês. Considerado o mestre do psycho thriller no Japão, suas obras abordam a natureza humana a partir de temas como desilusão, uso de drogas e violência num sombrio Japão pós-guerra.
Audição foi publicado originalmente em 1997 e ganhou o mundo com a adaptação em 99 pelo cineasta Takashi Miike. Agora tem no Brasil! Ganhou edição nacional publicada pela DarkSide Books e conta com tradução de Lica Hashimoto e Juliana Kobayashi.
Começa como um desgraçamento e termina como uma desgraceira
Desde a morte de sua esposa, há sete anos, Aoyama não teve nenhum outro relacionamento. Shiguehiko, seu filho adolescente, fala com o pai sobre isso, diz que ele está ficando velho e que poderia encontrar um novo amor para se casar de novo.
Yoshikawa, um dos seus melhores amigos , é produtor de TV e propõe uma ideia um tanto quanto inadequada: realizar testes para um filme falso (um filme que não existe nem vai existir) e entre as candidatas pra essa audição quem sabe encontrar uma nova esposa para o Ayoama.

A ideia consite em, basicamente, criar um catálogo de mulheres. Uma movimentação para essas inscrições, contendo fichas de cada uma das candidatas com fotos, altura, medidas, redações, características, gostos, hobbies e aptidões; tudo para facilitar as seleções e audições presenciais com entrevistas.
Os diálogos entre os dois amigos a respeito dessas avaliações são repletos de machismo e misoginia, propositalmente inseridos pelo autor Ryu Murakami pois seus personagens são homens com atitudes misóginas e que muito provavelmente não compreendem o peso que isso tem. Vale dizer que Audição é ambientado em Tóquio, na década de 1990 — existe o aspecto cultural do Japão, ainda mais na época retratada.
Entre muitos julgamentos, tópicos de checagem, preferências físicas e morais, uma das candidatas chama muito a atenção de Ayoama desde a ficha de inscrição, era como se houvesse uma fascinação imediata.


Indicações de livros pesados e perturbadores para ler em uma sentada.
Desgraçamentos para ler em um dia, obviamente dependendo da sua disponibilidade, possibilidade e foco. O destaque é indicar livros curtos e extremamente marcantes, daqueles que fixam na memória por um bom tempo.
A intenção deste índice é manter-se atualizado com a playlist LIVROS CURTOS PARA DESGRAÇAR A CABEÇA no YouTube e ser um despertar para a literatura & baque mental.
LIVROS PARA LER EM UM DIA (e DESGRAÇAR a CABEÇA por anos)
▪ Pssica; de Edyr Augusto Proença
↪ Boitempo : 122 páginas https://amzn.to/3cGuvbb (disponível Kindle Unlimited)
▪ O Estrangeiro; de Albert Camus
↪ Record : 128 páginas https://amzn.to/3opWMow
▪ Mãos secas com apenas duas folhas; de Paula Febbe
↪ Monomito : 104 páginas https://monomitoeditorial.com/produto/maos-secas-com-apenas-duas-folhas/
▪ A Invenção de Morel; de Adolfo Bioy Casares
↪ Biblioteca Azul : 112 páginas https://amzn.to/3cbYkjM
▪ Mundo Pet; de Lourenço Mutarelli
↪ Comix Zone : 120 páginas https://amzn.to/39oAgs9
▪ Capão Pecado; de Ferréz
↪ Companhia de Bolso : 144 páginas https://amzn.to/39m3fge
▪ A Morte de Ivan Ilitch; de Lev Tolstói
↪ Várias edições : 96 páginas https://amzn.to/3ScX4hA
▪ O Velho e o Mar; de Ernest Hemingway
Bertrand Brasil : 126 páginas https://amzn.to/3ENuy3d
▪ A Filha Primitiva; de Vanessa Passos
↪ José Olympio : 97 páginas https://amzn.to/3BwGQt7 (disponível Kindle Unlimited)
▪ A Revolução dos Bichos; de George Orwell
↪ Várias edições : 150 páginas https://amzn.to/3Vwj0Hs



Um filme que desconforto constante: Speak no Evil, terror dinamarquês dirigido por Christian Tafdrup, causa aflição por ser um terror real, um terror possível.
Toda a atmosfera psicológica existe, mas é constantemente convertida para algo palpável e pela maneira com que lida com o mal dentro daquela realidade. O terror de Speak no Evil está justamente nessa materialidade da angústia que sentimos pelo que pode acontecer. Pelo possível.
A direção de Christian Tafdrup é assertiva na missão de perturbar, de causar incômodo e revolta no espectador. Através do comportamento humano, nos faz pensar nos limites extremos que a tolerância pode nos levar.
Assista ao conteúdo no YouTube: SPEAK NO EVIL 😶: PASSIVIDADE, DESCONFORTO e DESESPERO
Para mais terror gostoso e desgraçamento mental: Redatora de M