23mai

Escutar tuas coxas

Atualizado por Adriana 23.05.13 às 10:00

Quero escutar tuas coxas, queimar minha orelha nelas
Me aproximo e penso em te pedir um abraço
E então, com os olhos
Apenas com os olhos, entro nos teus olhos coloridos em verde
Lá embaixo, os pés. As meias atrapalham
Os pés se viram até ficarem nus e dançarem no ar
Esse mesmo ar que você respira
Que sai da tua boca e vem pra minha
Inspira
Quero deitar na tua fala quando você fala
Este medo que agora sinto
Vem das tuas curvas tão leves e tão brancas
Observo o consentimento e encosto minha mão
Apertas os lábios e, rijo, só penso na tua reação
A cada toque concluo
Já não posso mais estar perto sem querer te sentir
Por fora, por dentro
O sabor desta tua carne
Que hoje me deixa à beira da loucura
Com a mão entrelaçada em teus longos fios de cabelo
Te pego num braço e te trago pro peito
Você se mexe bem pouquinho
E eu te assisto
De leve
Devagarinho

Adriana Cecchi

20mai

Por Pedro Catarino: “Interlúdio Musical”

Atualizado por Adriana 20.05.13 às 13:00

Coluna de autores convidados, texto por Pedro Catarino

Como é de costume e corriqueiro, meu fone de ouvido parou de funcionar. Ela me olhou e disse: “Vamos comprar um fone bem legal para você!”. Eu concordei. O tempo passou e, ainda que sobre as insistências dela, procrastinei.
Com pressa, numa tarde de sábado, entrei numa loja qualquer e pedi o primeiro fone que vi pela frente. Alguns trocados e “problema resolvido”. “Esse fone não vai prestar…” ela disse. Assim que o liguei percebi que o lado esquerdo pipocava e o direito não tinha um som limpo.
“Pedro, eu pago, vamos comprar um BOM fone” ela me disse. Como de costume, despreocupado, respondi “Imagina, esse aqui ainda tá funcionando”.
“Meu amor, precisamos conversar” ela me disse. Como de costume, eu respondi “A gente se ama, vai ficar tudo bem!”. O tempo passou e os problemas ficaram, “Não tá tudo bem, senta aqui, vamos resolver…” ela pediu. “Preta, eu te amo. Vai tudo passar, é só a gente ficar junto…”.
O tempo passou, meu fone quebrou, e eu não ouço música já tem um bom tempo. O tempo passou, ela foi embora, e eu não ouço meu coração já tem um bom tempo. Deveria ter aceitado o fone, deveria ter aceitado a conversa. Deveria.

Pedro Catarino

01mai

Filmes e afins de abril

Atualizado por Adriana 01.05.13 às 15:02

Mês pobre de filmes, assisti mais séries: comecei The Following, Hannibal e Vikings. Preciso de um dia com 70 horas fazendo o favor.

Filmes

Mary Poppins (Robert Stevenson, 1964) ★★★★

O Espetacular Homem-Aranha (Marc Webb, 2012) ★★

Meia-Noite em Paris (Woody Allen, 2011) ★★★★

Livros

Civilizações perdidas – Os Vikings: Intrépidos Navegantes do Norte (Dale M. Brown) ★★★

Sangue e Entranhas (Richard Hollingham) ★★★★

23abr

Quero apenas

Atualizado por Adriana 23.04.13 às 09:00

Não quero um pronome pra te nomear
Quero apenas que goste de estar por perto sem hora pra voltar

Não quero usar uma palavra pra te classificar
Quero apenas mordidas descompromissadas no pescoço que me causem falta de ar

Não quero que me mande flores
Quero apenas que seus dedos se enrosquem em cada fio de cabelo meu e depois os puxe sem muitos amores

Não quero que me dê satisfações ou me explique porque não veio da outra vez
Quero apenas sua mão na minha cintura e um suspiro ao pé do ouvido sem nenhuma polidez

Não quero que me telefone de hora em hora
Quero apenas um beijo na testa seguido de um longo abraço cheio de desejo antes de eu ir embora

Não quero que me escreva cartas ou um poema
Quero apenas que coloque uma música e deite no meu colo por alguns minutos sem dilema

Não quero uma joia nem tão pouco um anel
Quero apenas que seu dedo contorne os meus lábios e depois escorregue para minha nuca enquanto vejo a luz em seus olhos refletindo o céu

E, por fim, não quero que diga que vai ficar e sempre voltar
Porque este, meu bem, seria o mais difícil de acreditar

Adriana Cecchi

05abr

Descartável

Atualizado por Adriana 05.04.13 às 10:00

A ponta do lápis quebrou
Nem a borracha pode apagar
O vinco que o grafite deixou
Rasguei a folha ao meio e a amassei
E para longe o sulfite rabiscado eu arremessei
Descartável

Girei o registro do chuveiro
A água quente caía durante o banho
E deixava uma nuvem branca no banheiro
Passou por todo meu corpo cheio de sabão
Escorrendo pelo ralo sem mais necessidade pelo vão
Descartável

O cheiro de azedo subiu e empesteou o lugar
Deixaram aberta a tampa da panela de feijão
Tão ruim que até faltou o ar
Minha mãe diria que é pecado perder comida assim
Mas não há nada mais que esse feijão possa fazer por mim
Descartável

Ela disse que me amava com uma lágrima no rosto
Dei um passo pra trás e, por tudo que é mais sagrado,
Respondi-lhe que não poderia assumir esse posto
Fechou os olhos e deu meia volta
Vi se afastar até perdê-la de vista, mas toda noite ao deitar
É só ela quem eu penso em abraçar.

Adriana Cecchi