Coluna de autores convidados, texto por Marcela Oka E aí você se pega com aquele sentimento… Saudade. E uma saudade inesperada, porque você nem tem tanta certeza do que você tem saudade. Porque até então você tinha um padrão estabelecido que te deixava metodicamente confortável. Um padrão onde o que tinha acabado, ficava pra trás. Sem mágoas ou raiva, porque a data de validade desses sentimentos já tinha expirado. Então simplesmente ficava pra trás, guardado numa caixa dentro do depósito, como aquelas coisas que a gente não tem onde colocar quando muda pra casa nova, sabe? A caixa estava no Continue lendo

Ela está lá para todos, mas só usa quem quiser. Uma realidade paralela. O mundo para de girar, a cabeça fica distante. Passa por ruas, avenidas, casas, grandes jardins, prédios, comércios, carros, motos, praças, pontes, muros e concretos. Passa por casais de mãos dadas, crianças de uniforme, moradores de rua, homens de gravata e mulheres de vestido. Passa por semáforo, lixo, gente e bicho. Quadro em movimento e tempo congelado, paradoxalmente no mesmo vidro. Tudo fica em suspenso, ao menos por um momento. Agonias, saudades, angústias, dores, aflições, dúvidas, amores não correspondidos, crises existenciais, arrependimentos, decisões importantes, problemas familiares, urgências, Continue lendo

Primeira coluna de autores convidados, texto por Stephanie Roque O rádio do carro demorou para sintonizar no programa que alerta os motoristas sobre o trânsito, e por isso, fiquei preso num congestionamento de volta pra casa. Fiquei tempo suficiente para contar as moedas que estavam guardadas no carro, separar as contas e ler um capítulo do livro que um rapaz do trabalho me emprestou. Quando cheguei em casa, deparei-me com Rita sentada nas escadas, com fones de ouvido, lendo um livro. Ela já estava de pijamas, mas continuava linda. Seus cabelos estavam trançados e seus olhos castanhos-claros se ergueram ao Continue lendo

24.05.2012

Para ouvir: Patience Não sei de onde você veio, mas fica Entra Pode deixar as malas ali no canto Não precisa abri-las por enquanto Vem, senta Pega uma almofada Tira os sapatos Fica à vontade Conte como foi o seu dia, como foi o seu caminho até aqui Eu vou fazer um café pra gente Daqueles bem fortes e com pouco açúcar É bom pro frio Espero que goste Comente como está a temperatura lá fora e reclame do que estiver passando na TV Vamos conversar sobre qualquer outra banalidade Até que não reste nenhuma gota em nossas xícaras Nem Continue lendo

24.04.2012

A música traz de volta o gosto da tristeza Daquele momento que se viveu Do que deixou de ser vivido No âmbito da dor Retorna e vai, revira e volta Não mais Apenas lembranças De um tempo que se foi Junto com a música que o trouxe Longe Sem delonga Sem saudade Adriana Cecchi

08.08.2011

Fechei as portas do passado Eu não queria mais ouvir Aquela voz que me fazia partir Toda vez que você chegava Eu sei, eu já saí Mas nunca desisti De te ver sorrir Mais uma vez Pela última vez Estou aqui Agora E é onde eu quero sempre estar Neste mesmo lugar Adriana Cecchi

05.08.2011

Sexta-feira, noite fria. Ela estava ali, sozinha no enorme sofá recostada em algumas almofadas atrás de sua cabeça. Havia uma luz que iluminava o seu rosto. Era a TV com o filme chato. Chato e que ela já tinha assistido. Não importava. O filme era uma distração pro momento. Era pra se livrar daquele momento. Tudo parecia vazio; vazio e estranho, e calmo demais, e… Ela não queria estar ali, mas não tinha pra onde ir. O filme era a sua fuga mais próxima. O sono chega. As pálpebras pesam. O pescoço tomba. O telefone toca. Num susto, meio zonza Continue lendo

Sim, definitivamente, ele é. Sempre foi e sempre será. Não é nada difícil de encontrar, esse “grito” se espalhou como um verdadeiro viral pela cidade. Me surpreendi logo de cara pela pontuação, a ênfase na porra. Mas por que uma frase pichada em muros e paredes me tocaria tanto desse jeito? Entendi que essa revolta não fazia parte só do autor, é um sentimento meu, seu, nosso, do mundo –eu assim espero. O verbo amar ficou muito pop Oi, agora eu sei seu nome, adorei seu cabelo e eu te amo, tá? Ele perdeu a essência, ninguém pensa mais antes Continue lendo