Sobre | Projetos | Contato




12mar

Eu não sei o que é isso, doutor.
Será que vou mesmo partir sem entender?
Infelizmente não tenho como precisar quando tudo começou.
Isso que me aperta o peito. Que me pulsa na cabeça. Que cora o rosto.
Só me dei conta da seriedade ontem, pois acordei no meio da noite aos calafrios.
Coisa boa não pode ser, de fato.
Pode dizer, doutor. Vai.
As pessoas reparam, as pessoas comentam.
Parece quem todos percebem.
Já ouvi história de gente que se matou logo após os sintomas.
Sabe, os vizinhos costumam falar de gente que vive avoada.
De repente alguém começa a rir à toa. Depois surta. Logo enlouquece.
Eu já vi. Sei como é. Até de corda no pescoço me contaram, meu deus.
Tem nome essa doença, esse cão dos infernos.
Será contagioso? Pela água?
Pelo ar! Só pode!
Mas doutor, não enrole.
Me diga logo, eu aguento a verdade.
Quanto tempo ainda me resta?

Adriana Cecchi

Compartilhe:

Às vezes, tudo o que a gente quer é alguém pra rir por nada, chorar por pouco e abraçar por tudo. Adriana Cecchi

Sinto muito, mas não sinto nada. Ela disse e partiu. Talvez nunca mais a veja, mas seu cheiro continua por aqui. Jamais esquecerei seu tom de voz carregado de bom e mau humor. Seu riso solto. Seu salto falho. Seu perfume forte. Sua falta de sorte. Sinto muito, mas não sinto nada. Não é do […]